"A mente cria o abismo e o coração o atravessa." – Nisargadatta Maharaj

Arquivo para setembro, 2012

Mooji – Espelho do Absoluto

Trecho de um Satsang com Mooji em Tiruvannamalai, Índia, em 2006.

Transcrição:

Se isso for apenas mental, esqueça e vá tomar um xícara de chá.
Se isso for uma oportunidade, de realmente olhar, agora, esse é meu convite.
Sim, porque, na sadhana real, é no ouvir, no ouvir abertamente, sem a intrusão do hábito especulativo;
O ouvir abertamente é simultâneo com o reconhecimento interior e a confirmação.
Contornando a prática.
Porque o Ser não pode ser praticado; ele deve já estar aqui.

Isso é apenas abrir as cortinas, removendo as cataratas da identificação ilusória.
Você é a própria experiência.
Você é a experiência e aquele que testemunha a experiência, simultaneamente.
Mas o você ninguém pode achar.
Ninguém pode encontrar. É apenas a este princípio que o termo “eterno” se refere.
Já é assim.
Isto não é algo para praticar até estar habilidoso o suficiente, como um pintor faria.
Não é uma produção. É descobrir. Já está aqui.

A descoberta última deve ser descobrir o que está aqui atemporalmente.
A perfeição não pode ser aperfeiçoada.
E não pode ser menos perfeita.
Perfeito até mesmo além do conceito de perfeito.
E nós somos isto! Nós somos isto.

Esta é a boa notícia, e quando é descoberta… não é mais boa notícia.
Quando é descoberto, já não é mais boa notícia.
Todos os seus sofrimentos se acabam.
Toda sua ansiedade termina.
Se você tem tendência à depressão, isso também acaba.
Depressão também é um conceito.

Temos medo do resultado dessa descoberta?
Talvez na mente pensemos “Oh, meu Deus!”
Talvez até tenhamos saudade dos nossos problemas.
Talvez haja apego aos nossos problemas.
Porque, para muitas pessoas, problemas são um sinal de que “eu estou vivo”.
Às vezes quando um relacionamento está ficando meio sem graça, uma boa briga, ou então um caso às escondidas.
Ah, isto faz maravilhas para acordar as coisas! “Ah! Estou vivo!”
Então talvez haja medo de se livrar dessa agitação.

Eu não posso dizer para vocês como é a iluminação.
Não é parecido com nada. Então, esqueça isso.
Preste apenas atenção àquilo para o qual foi convidado a olhar.
Isso não requer habilidade, não requer…
Bem, nada exclui você disso.

“Um corpo?” Se requer um corpo? Sim, é verdade.
Então faça uso do seu corpo enquanto tem um.
Talvez seja por isso que temos um corpo.
Porque sem o corpo não podemos ter conhecimento, você não poderia sentir o sabor disso.
O corpo não cria o Despertar.
Apenas através do corpo é que o reflexo daquilo pode ser conhecido como a Consciência.
A Consciência é o espelho do Absoluto.
Apenas na Consciência podemos ter o saber do conhecimento do eterno.

E sobre estar desapegado de tudo?
Você pode praticar isso. Existe uma prática para isso, e é uma prática valiosa.
Porém, mais direto seria descobrir o que está apegado.
Encontre o que é que está apegado e você chegará mais rapidamente àquele desapego sem esforço.
Vou repetir:
Encontre o que é que está apegado, porque você diz “Eu devo me desapegar?”
Então você já está assumindo que está apegada.
Mas descubra! Porque isso se tornará natural para você.
Se eu digo: “Desapegue-se”, talvez isso lhe pareça ser um fardo – “ah, Deus, tenho que me desapegar”.
E assim você se sentiria ainda mais apegada a certos conceitos.
Você não está apegada a muitas coisas. Muitas coisas não lhe perturbam – a maioria delas.

Talvez 99% das coisas que surgem na sua consciência não lhe causam problemas.
É só aquele 1%…
Aquele 1% é o suficiente.
É como eu disse: assim como a unha do seu dedo pode esconder o sol, um único conceito pode esconder completamente a Verdade.
Um conceito!
E o conceito mais gordo é “eu”. Descubra o que é esse “eu”.
Não se livre de “eu”; descubra o que “eu” é.

Porque este “eu” está sempre entrando e saindo de foco.
Quando o “eu” se foca no corpo, torna-se o ego e seu ambiente se torna cheio de fricção, e é muito volátil;
cheio de “eu”, “você”, “isto”, “aquela coisa”, “mas se”, e “este semana”, “mas”, “e daí” “devo fazer isto”, “porque não consigo”, “ah, lá vamos denovo”…
É cheio disso.
E o mesmo “eu” pode se mover para longe disso, porque não é isso.
É apenas capaz de assumir essa forma.
É o uniforme “eu sou corpo”.

Quando ele observa que o funcionamento mente-corpo está indo e vindo, então se vira para si mesmo e pergunta, “então quem sou eu que percebo o corpo-mente?”.
Então algo se torna claro:
“Eu não posso dizer o que sou”. “Eu sei que sou, mas não posso dizer o que sou”.
E, nesse momento, há imensa alegria: “Uau. Eu não sou isso!”
Já existe alegria em descobrir que você não é isso.

Eu não sou o corpo. Não é um julgamento cínico.
É uma descoberta atômica, porque sempre lhe disseram que era o corpo, e que era a personalidade corpo-mente.
E agora vem essa pergunta: “Se eu sou isso, o que então observa isso?”
Então vêm respostas espertas tais como:
“é a mente observando a mente”. Ok, ok, mas o que é que observa isso?
Você diz que é apenas a mente observando a mente, mas o que observa isso? Seria outra mente?
Eu digo: não pense, experimente isso, veja, e confie em si mesmo nesse ver.
Confie no que está ali.
E sinta o fruto do seu ver.
Quando você reconhece aquilo que reconhece o funcionamento corpo-mente, imediatamente há um silêncio em você – sem dúvida;
ele não carrega o cheiro da dúvida, do medo.

Sri Ramana Maharshi disse algo muito poderoso.
Ele disse: “O ‘Eu’ remove o ‘eu’ e ainda assim permanece o ‘Eu’.”
Sobre o que ele está falando?
Aquela intuição natural, o sentimento “Eu sou” remove a sensação “eu sou eu, eu sou o corpo-mente.”
E ainda assim permanece “Eu sou”.
O “Eu sou”, esta intuição sem forma, remove essa associação “Eu sou esta pessoa, este corpo, esta mente”.
“Eu gosto, eu não gosto, eu vou, eu não vou, eu escolho, eu vivo, eu morro”.
Ela remove essa ignorância, e permanece como a intuição “Eu Sou”.

Um pouco de Carinho pra Alegrar o Caminho

 

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